sexta-feira, 4 de julho de 2008

Aparição...

Estoril,

Hoje vivi um momento de certa forma inquietante após o qual me perguntei a partir de que idade se começa a ler o DN pelo obituário.

Começando pelo prelúdio de tal acto:
Pelas 12h, com um acordar atrasado pela enfadonha teórica de Global já decorada, partia a caminho de Lisboa para 3h de Econometria, essa sim estonteante.

Para trás ficava uma das mais belas paisagens, balanceando o equílibrio entre o mar revolto e a bucólica e nostálgica baía de Cascais.

No Estoril entra este... Pedro Franco. Outrora homem de figura provocadora ao mulherio da linha, Pedro é hoje um homem vergado pela sabedoria e charme que embrulha exemplarmente num fato cinza clássico, enlaçado por um cachecol cosmopolita que lhe confere uma certa envolvência misteriosa.

Tomando o lugar à minha frente, desperta a curiosidade de jovem ambicioso, qual Steven Levitt, que ao aprender os traços cognitivos do sucesso, se entente também mais promissor. Numa pasta viajada guarda pastas de relatórios infindáveis que troca jovialmente pelo momento de abrir o jornal do dia. Passa um olhar pelas letras negras que referem umas quantas (in)verdades, buscando de seguida em movimento automático e aprendido, a página do obituário . . . Relê nomes e convites, num momento em que o próprio voyeur, numa cumplicidade não questionada, se entristece ao perceber que Pedro encontra amigos e escolhe palavras para o dia que já foi mais miragem. Os minutos que despende ali são mais que leitura. Juraria que os próprios olhos ja se enclausuraram na projecção de toda uma vida de grandiosas vitórias e barreiras destruídas pelo seu vigoroso olhar.

A dada altura, quebra a passagem mitológica por um retirar de telemóvel, como quem faz pause na cena, para trazer de volta a realidade de certa forma divertida. Marca mesa para 2 "junto ao rio"... Companheira... Amigo de armas.. talvez a frieza de um qualquer negociante. A sua clausura do momento não permite ao curioso tamanha transparência.

De qualquer forma e de volta à página, sente-se a audaz vontade de escolher paisagens que se perpetuem e pessoas que vistam o luto... no dia que chega,..., sempre chega... mas se atrasa e perde, naquela incrível vontade de viver.


Pedro Franco by
PedroftRamos

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