Apenas pontualmente passo para aqui o que não é meu. Para não quebrar a linha de pensamento. Para não poluir as palavras dos que me fazem escrever. Cormac McCarthy que me perdoe mas esta passagem d'A Estrada' é demasiado bonita.
"Ele sentou-se e vasculhou com a mão o mecanismo das máquinas esventradas e, na segunda, os dedos fecharam-se em volta de um cilindro de metal frio. Retirou a mão devagar e ficou ali sentado, a olhar uma lata de Coca-Cola.
O que é isso papá?
É uma guloseima. Para ti.
O que é?
Anda cá. Senta-te.
(...)
O rapaz pegou na lata. Faz bolhinhas, disse.
Vá, bebe.
Olhou para o pai e depois inclinou e bebeu. Permaneceu imóvel alguns momentos, a pensar no sabor. É mesmo bom, disse.
Sim, é.
Bebe um bocadinho, papá.
Quero que sejas tu a beber.
Bebe um bocadinho.
Ele pegou na lata e bebericou um gole e devolveu-a ao rapaz. Bebe tu, disse. Ficamos aqui os dois sentados.
É porque eu nunca mais vou beber outra igual, não é?
Nunca é imenso tempo.
Está bem, disse o rapaz."
Cormac McCarthy in A Estrada
domingo, 24 de maio de 2009
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