O frio convida a um bom abraço, a chuva a um abrigo, o fim de tarde cinzento a um chá ou chocolate quente entre amigos e/ou familiares.
E ao longo do nosso caminho para esses mesmos abrigos ou espaços de convívio vemos agora encolhidos e adoentados os que "sem família" avaliam o Dezembro como um tremor continuado, um desolo temporal e uma obrigação á fuga da sua inércia para se manterem quentes.
As mesmas caras que queimadas pelo sol nos pediam ajuda durante os meses quentes, e para as quais demasiado ocupados com todas as possibilidades de aventura, nos esquecíamos de olhar... arrastam-se agora no nosso campo visual arrancando de nós um carinho especial, um sorriso ou um gesto. A sua coordenação é frágil, o olhar invernoso, inquietante.
Ainda que saiba não ser o que procuram directamente, criei a tendência de saudar estas pessoas como tais. A capacidade sociológica e de integração implica uma contraparte que muitas vezes pelo corte do ciclo, afunda estas mentes envelhecidas em solidões profundas.
Então no prolongamento da insanidade que me leva a ser turista na minha própria vila, saio nos meus Domingos à tarde em busca desta bondade perdida em ruelas e becos com história.
Um "muito boa tarde" ou "como está?" parecem vindos do além e muitas vezes não obtêm resposta.. mas sempre.. sempre.. um segundo olhar.. uma reflexão.. um regresso ao passado na busca das feições daquela estranho, ridículo, aborrecido e insolente que ousa interromper o seu monólogo. A um segundo ou terceiro encontro já o resultado é diferente... a mesma desconfiança, mas um maior brilho.
Depois chega a quadra.. os dias que precedem A noite e sou eu também um pouco de barbas.... mas isso é outra história.
Sorriam,
pedroftramos
domingo, 23 de novembro de 2008
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