Nos fabulosos jantares que reúnem o não menos fabuloso grupo de Viena, discutia-se à distância de um ano, os bons momentos vividos e a vontade de voltar aos mesmos lugares, às mesmas recordações.
Já sozinho, num dos espaços de instrospecção revi as palavras de cada um e os olhos brilhantes comentando com saudade a magia daquela cidade. Tentei eu próprio rever os fins de tarde, os passeios madrugadores e as idas à missa em Alemão que não percebia.
Olhei para a pilha de papeis à minha frente, abri o moleskine e vi uma semana de testes e trabalhos. Olhei para mim e vi uma mente preocupada com objectivos académicos e profissionais, gerindo os factos do passado recente. Então percebi o que era Viena.. percebi os sonhos.. percebi a liberdade e saí...
Vesti o meu casaco comprido que usava pela ringstrasse e pelas lojas da stephanplatz, agarrei no meu cachecol e luvas mais quentes, (des)penteei-me, pus o mesmo perfume de Viena e saí...
Cheguei ao centro de Cascais carregado de entusiasmo e expectativas. De camara na mão percorri todas as ruas, captando pessoas, monumentos e nadas. Olhava em redor qual turista que chega pela primeira vez à cidade. Abordo um casal e pergunto no meu melhor accent inglês onde fica a marina. Eles sorriem e indicam-me o caminho que conheço faz anos. Continuo a falar com uma e outra pessoa, que amavalmente me respondem a todas as dúvidas que pareço ter. Despreocupado, liberto de tudo e todos, sem testes ou deadlines ou agendas, chego à Baía de Cascais e sento-me no meu lugar de eleição junto a D.Carlos. O fim de tarde é cinzento, ventoso e frio... paro, foco o horizonte, fecho os olhos, saio do meu corpo e deixo-me levar.. Estou em qualquer lugar do mundo, sou um turista de máquina na mão e coração aberto. Sou livre, louco e feliz. Respiro fundo, absorvo o momento, levanto-me e volto à realidade.
...
Sempre tive esta tendença louca de me perder. Adoro parar o relógio (literalmente), largar o ser metódico e racional e ser o mendigo das pequenas perfeições.
Louco, mas feliz...
Genuinamente feliz.
Os lugares ficam
Os amigos...
Vêm connosco.
E com eles...
Não há lugares.
pedroftramos
terça-feira, 11 de novembro de 2008
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